quinta-feira, 14 de abril de 2011

Soneto 47



Entre olho e coração um pacto distinto,
Bem servir um ao outro deve agora.

Quando para ver-te o olho está faminto,
Ou a suspirar de amor o coração se afoga,
O olhar desfruta o retrato de meu amor,
E o coração ao banquete figurado,
Convida. De outra vez, ao imaginado amor,
O olhar a tomar parte é convidado.

Assim, por meu amor ou tua imagem,
És sempre presente ainda que distante,
Pois não podes do pensar ir mais além,
Se estou com ele em ti a todo instante.

Se adormecem, tua imagem na minha visão,
Desperta ao deleite vista e coração.


William Shakespeare

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