Sempre tive um certo medo de me apaixonar, pois, eu poderia fazer alguém sofrer. Mas na verdade, quem não gostaria de sofrer seria eu mesma, assim usando essa desculpa.
Os anos vão se passando e minhas amigas felizes veem ao meu encontro me convidando para seus casamentos. Estão mais velhas, com seus trabalhos fixos e suas casas próprias, e ainda mais montando uma família, com a pessoa que elas mais gostam.
Enquanto eu, estou sozinha e velha ao mesmo tempo. Finjo que estou bem e com um sorriso forçado me vejo no casamento de uma de minhas amigas. Ela está deslumbrante, com véu e grinalda, desfilando até o encontro de seu amado. O seu noivo e futuro esposo está em um traje fino, aparenta nervosismo e ao mesmo tempo animação. Os convidados estão todos de pé (para receber a noiva). Estou na segunda fileira dos bancos de madeira, ao lado de um desconhecido que por sinal está bastante cheiroso, o olho discretamente, mas logo ele percebe, retorno a olhar para minha amiga radiante, quando sinto uma mão encostando em meu braço. Era o rapaz, ele me dera um sorriso simpático, como se quisesse conversar comigo, retribuo o sorriso e retorno a admirar a cerimônia.
As palavras belas vindas do padre, as juras de amor, as promessas, a troca de alianças, e então, o beijo. Surgiram muitos aplausos excitados por entre a igreja, alguns estavam emocionados, outros entediados, mas eu, estava pensando se ficaria sozinha para sempre.
Todos foram até o salão para festejar o casamento, cumprimentei os noivos carinhosamente e logo sentei em uma mesa com quatro lugares, um casal sentou ao meu lado, e logo depois, o rapaz da cerimônia sentou-se na ultima cadeira da mesa. Nos olhamos por um bom tempo, trocando simpatias (como sorrisos). Ele resolveu se aproximar mais de mim. Ambos permaneceram em conversas formais e sem contato físico. Um rapaz educado, maduro e que estava solteiro. Passamos um bom tempo conversando, fazia mais de uma hora de conversa. E logo a noiva chamou as moças solteiras para pegar o buquê. Fiquei sentada, pois não queria disputar e até sair machucada por um buquê. O rapaz sorriu e ficou olhando discretamente pra mim. Sinceramente, não sabia o que ele estava pensando à meu respeito, mas gostaria de saber.
A noiva joga o buquê, uma senhora de meia-idade no meio de jovens eufóricas consegue pegá-lo. Fotos e mais fotos são retiradas daquele momento que ficará guardado na memória de minha amiga e de seu esposo para sempre. Formam um casal bastante bonito.
Retornando à mesa, o rapaz continua a conversar comigo e demonstra bastante interesse em me conhecer, aos poucos vamos contando coisas mais íntimas a nosso respeito, e mais tarde estamos trocando telefones. Nos despedimos com beijos no rosto e ambos vão à locais opostos.
Me aproximo do casal recém-formado e desejo tudo de bom para o futuro deles. Saio da festa e vou à minha casa.
No dia seguinte, por volta das nove horas da manhã, acordo com o telefone tocando. Era o rapaz da festa, me convidando para passear no parque mais tarde. Sinto um certo nervosismo por conta disto, mas logo aceito.
Esperando por ele no parque, vou comprar um sorvete de morango. Estou sentada em um dos bancos brancos quando ele chega. Sorrindo vem ao meu encontro. Nos cumprimentamos e andamos em direção ao lago, conversando. O rapaz me diz que ficou encantado comigo e sem jeito tenta segurar em minhas mãos, assustada, escapo de suas mãos, dando a entender que não esperava por isto. Ele tenta novamente se aproximar de alguma forma de mim e desta vez já entendendo, o deixo tocar em minhas mãos. Ficamos nos olhando por um tempo, e logo ele se aproxima cada vez mais de mim, assim encostando seus lábios nos meus. Tive medo de que ambos gostassem daquele momento, mas, após um certo tempo, o medo se foi e me deparei com a paixão surgindo de minha parte. Paramos de nos beijar. O rapaz pôs suas mãos em meu rosto e deu mais um sorriso. O olhei um pouco sem jeito, mas, deixei que ele me guiasse pelo parque. Nos sentamos no banco branco e ficamos a admirar o pôr-do-sol. Com nossas mãos entrelaçadas, percebi que ele desejava bastante permanecer por um longo tempo comigo e sem querer se afastar jamais.
Após alguns dias nos encontrando e nos conhecendo acabamos namorando. E hoje eu é quem estou desfilando pela igreja e aquele rapaz daqui à alguns minutos será o meu esposo.
Nadine Bovet

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